Lixo. O desafio continua.

O lixo ainda é um sério problema para a humanidade e não há uma solução fácil e rápida. O lixão da estrutural – que era localizado a 15 quilômetros da Praça dos Três Poderes -, e que foi recentemente fechado, não soluciona os problema gerados por mais de três mil toneladas de resíduos do Distrito Federal, que diariamente eram destinados ao local. Uma montanha que foi se acumulando por seis décadas, atingindo uma altura de 60 metros, num acumulo de 40 milhões de toneladas de detritos. Era a maior atividade na América Latina e o segundo maior do mundo, estava atrás apenas e Jacarta na Indonésia.

O estrago ambiental é grande e mesmo com os procedimentos de recuperação da área, ficará uma cicatriz ambiental inesquecível.

A remediação do impacto ambiental pode levar de 30 a 50 anos. Serão necessárias várias etapas de contenção de vazamentos, emissões e tratamento da área, é como um quebra-cabeça de custo elevado”, diz Gabriela Otero, coordenadora do departamento técnico da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

A entidade fechou um acordo de cooperação para acompanhar o fechamento do lixão até sua conclusão definitiva. “O fechamento do lixão da estrutural e a criação de uma nova logística de descarte pode mobilizar outras cidades a fazer o mesmo”, destaca a especialista.

Segundo levantamento da entidade, 1559 municípios brasileiros (quase 30% do total) recorreram aos lixões em 2016, contra 1552 em 2015, anos com dados mais recentes disponíveis. No total, em todo o território nacional, existem 2976 lixões em operação.

Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída com 20 anos de atraso em 2010, o país deveria extinguir todos os lixões até 2014. O prazo foi adiado, e as capitais e municípios de região metropolitana têm até 31 de julho de 2018 para acabar com os lixões, e  cidades pequenas, até 2021. Claramente, a extinção dos lixões está longe de acontecer. Para a representante da Abrelpe, embora a consciência sobre o problema venha crescendo, faltam mudanças concretas.

O estímulo, segundo ela, pode vir do governo, por meio, por exemplo do estabelecimento de um sistema de aproveitamento energético de resíduo, pode vir pelo próprio setor industrial, que precisa se mexer para atender à logística reversa prevista na PNRS, e também da revisão de hábitos e atitudes por parte da população.

“O que não dá é ficar inércia, a inércia custa bilhões. Precisamos nos movimentar e rever nossa relação com o lixo”, ressalta.




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